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Uma idéia, Kitesurf e muito empenho

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Como uma empreendedora australiana transformou sua idéia num império.

Certamente essa não será a primeira história que você terá lido sobre alguém que fez fortuna e começou seu império de bilhões de dólares na sala de estar de sua mãe.

Uma coisa é a vontade de abrir uma empresa. Outra é a intenção real de competir diretamente com as gigantes da tecnologia e design: Microsoft e Adobe.

Melanie Perkins, 32, é co-fundadora e CEO da Canva, uma plataforma – online – gratuita de design. A jovem empreendedora australiana abriu a empresa em 2013 com a seguinte promessa: tornar o design de qualidade acessível a todos. Em cinco anos, ela ganhou as manchetes como uma das mais jovens CEOs do sexo feminino. A empresa sediada em Sydney vale agora mais de US $ 3,2 bilhões. A fortuna pessoal de Perkins e seu sócio (e noivo), Cliff Obrecht, é estimada em mais de US $ 900 milhões.

A idéia

Com 19 anos, Melanie Perkins ensinava design básico em computadores em paralelo à sua formação em Comunicação, Psicologia e Comércio na University of Western Australia, em Perth. Vale destacar aqui que, aos 14 anos, Melanie já comercializava lenços feitos à mão.

Era 2006 e seus alunos acharam as plataformas oferecidas por empresas como Microsoft e Adobe “loucamente difíceis” e ela sentiu que deveria haver uma maneira melhor.

“As pessoas teriam que passar um semestre inteiro aprendendo onde estavam os botões, e isso me parecia completamente ridículo”, afirmou Perkins para a CNBC Make it. “Foi quando pensei: no futuro tudo será online, colaborativo e muito, muito mais simples do que essas ferramentas realmente difíceis”, concluiu.

Um começo discreto

Com poucos recursos e pouca experiência empresarial, Melanie e seu namorado Cliff Obrecht começaram de forma discreta e criaram um negócio de design de anuários escolares online, a Fusion Books, para testar sua ideia.

Eles lançaram um site para os alunos “colaborarem e projetarem suas páginas pessoais e artigos”. A Fusion Books imprimia os anuários e os entregava a escolas em toda a Austrália. Em 2007, com o último semestre da universidade terminando, o casal se concentrou integralmente na empresa. O resultado: alunos de aproximadamente 400 escolas, algumas tão distantes quanto a França, aderiram à plataforma.

“A sala de estar da minha mãe se tornou meu escritório, meu namorado se tornou meu parceiro de negócios e começamos a permitir que as escolas criassem seus anuários de forma muito simples”, explicou Perkins para a CNBC.

Quando os clientes ligavam e pediam para falar com o gerente da Fusion Books, Obrecht mudava de voz e fingia passar a ligação. O negócio foi um sucesso e continua ativo até hoje. Para Melanie, foi apenas o primeiro passo do que ela chamou de “crazy big dream”.

Nosso objetivo era pegar todo o ecossistema do design, integrá-lo e torná-lo acessível à todas as pessoas ao redor do mundo.
- Melaine Perkins, para a Forbes.

O casal manteve a startup amarrada, ou seja, não contrataram capital externo. Eles simplesmente não sabiam que era uma opção. Por fim entenderam que não iriam longe sem correr um risco do tamanho de seus sonos.

Um flerte com o Vale do Silício

Em 2010, durante uma conferência em Perth, Perkins teve sua primeira grande chance: depois de um encontro casual, foi convidada pelo super investidor Bill Tai, um reconhecido entusiasta das startups do Vale, para ir a São Francisco e apresentar sua ideia. Poucas horas depois, Bill, claramente impressionado, estava enviando mensagens sobre ela à grande parte de sua lista de contatos.

Achei que ele realmente não gostou do que eu tinha a dizer. Ele estava ao telefone, e achei que isso significava que ele não estava necessariamente prestando atenção no que eu dizia sobre minha idéia”, lembra Perkins à Startup Smart. “Mas então cheguei em casa e percebi que ele estava realmente me apresentando a algumas pessoas

Kitesurfing

Sem dinheiro e sem equipe, Perkins logo descobriu que construir um relacionamento sólido com o Vale do Silício estava longe de ser um mar de tranquilidade. Ao mesmo tempo, Tai, um ávido kitesurfista, estava ansioso para que ela e Obrecht ampliassem seu networking no MaiTai, um evento único no Hawaii para investidores e entusiastas do kitesurf.

Melanie não hesitou: aprendeu o esporte nas águas geladas e “infestadas de tubarões” de São Francisco.

“Eu nunca tinha feito isso antes – e, para ser honesta, não é algo que eu naturalmente tentaria”, disse à Startup Smart.

Toda vez que ele (Tai) perguntava como ia o meu negócio, ele também ficava, tipo, como vai seu kitesurf?
- Melanie Perkins, para a Startup Smart

Questionada sobre obstinação pelo site de notícias australiano news.com.au, declarou: “Assim uma porta se abre, você apenas tem que enfiar o pé no vão da porta pra garantir que ela não feche”.

Flutuando à deriva em seu kiteboard e com um importante machucado na perna numa manhã nublada de maio, em 2013, Melanie teve tempo de sobra para meditar sobre sua decisão: ela esperou horas para ser resgatada, à mercê da corrente do Caribe, num canal entre as ilhas Necker e Moskito, propriedades do bilionário inglês Richard Branson.

E o que ela pensou enquanto esperava?

Bem, depois de conquistar grandes investidores e iniciar a construção da plataforma de design do Canva com uma equipe qualificada de engenheiros de tecnologia, o jovem casal se descobriu em rápido e pleno crescimento.

Em 2013 o site entrou no ar, permitindo aos assinantes criar uma variedade de soluções de design gratuitamente. Estava consolidada a idéia original e a promessa da marca: permitir que mesmo pessoas leigas fizessem design de qualidade, de forma simples.

Freemium

O Canva é uma plataforma de uso gratuito, mas que oferece versões pagas com mais recursos — de onde vem sua renda. Na versão gratuita, é possível ter acesso a templates diversos, desde modelos para redes sociais e soluções de representação gráfica tradicional, até fotos e elementos gráficos. Os usuários podem escolher entre muitos modelos projetados por profissionais, editar esses modelos e fazer upload de suas próprias criações e fotografias por meio de uma interface absurdamente simples de arrastar e soltar. Nas pagas, há mais opções disponíveis, além de combos completos para marcas e peças desenvolvidas por designers profissionais.

Mais de 20 milhões de usuários de aproximadamente 190 países usam o aplicativo para desenvolver basicamente qualquer solução gráfica. Além do preço nada impeditivo (vale lembrar que milhões de usuários não pagam nada), a principal vantagem do Canva sobre seus gigantescos rivais (como a Adobe) tem sido a facilidade de uso: exatamente a promessa da marca. Antes, amadores que resistiam à contratação de profissionais, improvisavam nas mais diversas ferramentas: até o Microsoft Word já foi estrutura para uma ou outra solução de qualidade bem questionável.

Hoje, qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode baixar o Canva e concluir uma solução de qualidade em poucos minutos.

E se você pensa que a Adobe está distraída, talvez ainda não tenha ouvido falar no Spark: ela oferece seu próprio aplicativo gratuito desde 2016. Melanie afirmou para a Forbes que as ferramentas do Canva são usadas em 50 mil universidades e 25 mil organizações sem fins lucrativos. A Adobe rebate, dizendo que entregou 23 milhões de contas gratuitas do Spark a alunos e professores.

Apesar de possuir uma empresa multibilionária, Perkins diz que adota uma abordagem discreta e comum para viajar.

“Cliff e eu ainda viajamos mochilando. Nos últimos dois anos, fizemos passeios a cavalo na Mongólia, ficando em yurts e em uma casa na árvore no Laos”, afirmou para a CEO Magazine. “Ainda adoramos ficar em acomodações muito básicas”, conclui.

Em 2019 o Canva sofreu uma invasão e os dados de seus assinantes foram expostos. No mesmo ano, ainda operando a estratégia de gerenciamento da crise do “breach”, foi relatado que o Canva, entre outras empresas australianas, apoiou publicamente funcionários que participavam de manifestações pedindo que o governo australiano tomasse medidas efetivas sobre as mudanças climáticas e a transição para energias renováveis.

Se não bastasse a notória habilidade na lida com a opinião pública jovem, outra comprovação precisa do empenho da gestão no alinhamento com sua promessa foram os elogios recebidos em janeiro de 2020, por lançar uma política de privacidade compreensível, escrita em termos jurídicos e, no que podemos chamar de “idioma comum”, cumprindo, mais uma vez integralmente a missão de simplicidade e acessibilidade, tornando suas práticas facilmente compreensíveis para todos os usuários.

Capital Privado

Cliff Obrecht, diretor de operações, disse em entrevista à Bloomberg que a Canva Inc. levantou US $ 60 milhões em financiamento (capital privado) o que atualiza a avaliação de US $ 3,2 bilhões do ano passado para US $ 6 bilhões e torna a startup a empresa privada de tecnologia mais valiosa da Austrália. A nova rodada de investimentos foi liderada pela Blackbird Ventures e Sequoia China, contando também com a participação de patrocinadores já conhecidos, incluindo General Catalyst Partners, Felicis Ventures e Bond.

Durante a pandemia do Covid-19, um dos principais lançamentos da empresa foi um recurso de brainstorming que permite aos usuários colaborar no mesmo trabalho em tempo real: “Agora você pode ter centenas de pessoas trabalhando ao mesmo tempo”, disse Obrecht à Bloomberg. “O recurso de colaboração simultânea está decolando”.

O Canva, adquiriu os sites de conteúdo gratuito Pexels e Pixabay, adicionando mais de 1 milhão de fotos, vetores e ilustrações à sua plataforma, utilizada por aproximadamente 30 milhões de usuários/mês.

 

Marcos Rodrigues

Marcos Rodrigues é arquiteto e dedica grande parte de sua vida profissional à pesquisa de soluções, métodos e protocolos de comunicação eficiente. Entusiasta da organização, do branding e do design, atua como consultor de marcas, negócios e processos.

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