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Você não sabe o que são os mapas mentais

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A cena é recorrente: você está assistindo a uma aula on-line e o professor usa como suporte alguma ferramenta que organiza as frases e textos em ramos que abrem e fecham na tela do computador. Ele fala para você prestar atenção no mapa mental que está na tela. Ele explica e você entende. Até aí tudo certo. Ou melhor, quase tudo certo.

Mapas mentais servem não só para organizar a informação a ser mostrada – embora essa seja uma de suas funções primordiais. Mas utilizá-los somente para isso significa desperdiçar uma infinidade de possibilidades que poderiam te gerar grandes benefícios.

O criador dos mapas mentais, Tony Buzan, dizia que eles são algo que todos já sabemos como fazer, e os fazemos constantemente, sem notar. Eles são representações gráficas do que ocorre dentro da nossa cabeça e replicam a maneira como nosso cérebro processa e absorve informação, no papel ou na tela do computador.

Essa ferramenta nasceu com o objetivo de facilitar a aprendizagem e a memória, mas uma vez que ela funciona da mesma forma que o nosso cérebro, esse órgão que utilizamos para tudo, é possível usá-la também para uma infinidade de atividades.

Utilizar os mapas somente para organizar aulas é como fazer um trabalho com um dos braços amarrados. Seu potencial é muito maior. Só para você ter uma ideia, os mapas mentais são úteis na hora memorizar, gerar pensamentos criativos, tomar decisões, fazer anotações, estudar, criar uma agenda, fazer e documentar reuniões, montar apresentações e até para autoanálise.

Parece útil, não?

Mais do que uma ferramenta capaz de colocar informações dentro da nossa cabeça, os mapas ajudam a colocar para fora aquilo que já existe em nosso interior – e que, muitas vezes, nem sabíamos que estava ali.

Ao analisar as grandes empresas de tecnologia, como Apple, Google e IBM, reconhecidas não apenas por resultados financeiros extraordinários, mas também pelos benefícios que geram para seus usuários, o professor Marcelo Peruzzo, autor do livro “Ask.Brain”, conclui que a criação de tais empresas não foi obra de um planejamento estratégico totalmente pensado e esmiuçado. Foi, antes, fruto das mentes disruptivas de seus fundadores. Eles dominavam diferentes ecossistemas de conhecimento e tinham uma combinação única de habilidades e visão.

E se eu te dissesse que você pode fazer algo parecido? Talvez, não na mesma proporção dos exemplos que acabei de citar, mas no sentido de encontrar a contribuição única que somente você pode dar ao mundo.

Para que isso aconteça, é necessário aprender a olhar para dentro, uma atividade que, muitas vezes, é esquecida, negligenciada ou mesmo negada. Os mapas mentais podem ser uma ferramenta que facilita essa tarefa. Você já entenderá como.

No filme “Matrix”, Neo, vivido pelo ator Keanu Reeves, vai ao encontro do personagem Oráculo, que é uma espécie de guia, não necessariamente falando sobre o futuro, mas deixando pistas (muitas vezes bem misteriosas) acerca do caminho que se deve seguir. Neo tem dúvidas sobre a sua real missão, sobre quem ele realmente é. O Oráculo, na conversa, pede que ele olhe a frase que está sobre a porta por onde entrou, em latim: “Temet Nosce”, que significa “Conhece a ti mesmo”.

Esse mesmo convite é feito a todos nós. Para que de fato consigamos dar nossa maior contribuição, o primeiro passo é saber o que podemos oferecer, quais são nossas potencialidades – e aqui eu quero fazer uma distinção muito importante antes de prosseguir com o texto: uma coisa é a potencialidade; outra é a habilidade. Embora muitos de nós ainda não tenha uma habilidade desejada, que se refere a saber fazer algo, como tocar um instrumento musical, praticar um esporte em alto nível ou ter criatividade para os negócios, todos temos o “maquinário” que possibilita o aprendizado das mais diversas habilidades. Isso se refere à potencialidade, que é comum a todos. Esse maquinário é o seu cérebro. Saber como ele funciona é fundamental para que você comece a se desenvolver, pois poderá tirar o máximo de proveito para sua vida.

Como você verá, é tudo uma questão de conexão.

Quando pensamos, ativamos um caminho dentro do nosso cérebro, uma rede que é composta por neurônios, que são células nervosas. Diversos tipos de informação estão “guardados” em diferentes partes do seu cérebro, pois essas redes se distribuem por ele, em distintos lugares. Quando você pensa em um determinado conceito, por exemplo, bicicleta, a rede neuronal correspondente a esse conceito se “acende”, entra em funcionamento.

A estrutura de um mapa mental é totalmente parecida com a do seu cérebro, e você pode ver um pouco de seu funcionamento fazendo um dos primeiros exercícios para quem está aprendendo a trabalhar com mapas: a associação livre.

Numa folha de papel, escreva a palavra “alegria” no centro e, a partir daí, desenhe ramos vazios ao redor, como mostra a figura.

A partir daí, vá colocando em cima de cada ramo uma palavra relacionada com “alegria”, que está no centro. Não pense muito. Escreva as primeiras coisas que vierem à cabeça.

Tempo!

E aí, como foi? Fácil ou difícil?

Perceba que simplesmente ao pensar na palavra “alegria”, outras palavras começam a surgir, automaticamente. Talvez você tenha colocado algo como “riso”, “felicidade”, “família”, “sol”, “colorido”, “emoção”. Talvez não. 

O que você colocou foram as conexões que já existem em seu cérebro.

Outra pessoa que faça esse mesmo exercício vai encontrar palavras diferentes, pois tem conexões diferentes das suas. Essas conexões vão sendo criadas ao longo da vida, por meio das experiências de cada um. E como cada ser humano tem uma história com experiências que lhe são próprias, o tipo de conexões que vai construir, embora possa ter alguma semelhança com as de outras pessoas, será único.

Pessoas consideradas criativas são aquelas que fazem conexões entre conceitos que ninguém ainda tinha feito.

As grandes mentes dos negócios também conectam o que já existe com o repertório que sua experiência de vida lhes proporcionou. O que aconteceria se você fizesse o mesmo que essas pessoas? Como investigar aquilo que você já tem relacionado dentro de você, mas ainda não sabe? Como tornar essas conexões mais intencionais? Como criar ligações novas e mais criativas?

Os mapas mentais são uma ferramenta muito prática para esse propósito. 

Como você viu, uma palavra no centro irradia muitas outras. É a própria natureza do pensamento se manifestando, irradiante. Você pode seguir para o próximo nível, fazendo com que cada palavra que você escreveu seja o gatilho para novas. Uma palavra leva a outra, uma ideia chama a próxima, com um número infinito de possíveis combinações. É como um texto que você lê na internet, cheio de hiperlinks que levam a novas páginas que, por sua vez, também têm vários hiperlinks para outras publicações.

Todo esse potencial já está aí, dentro da sua cabeça. Basta usá-lo da maneira correta para trazer à luz soluções originais que o mundo precisa.

“Ah, mas isso não é para mim. Não tenho esse tipo de inspiração”, você pode dizer. Na verdade, você não usa o mapa mental porque já pensa de uma maneira diferenciada, mas para pensar dessa forma.

Já dizia a frase atribuída a Thomas Edison: “Talento é 1% inspiração e 99% transpiração”.

Quanto mais você usa os mapas, mais vai praticando esse tipo de pensamento e, consequentemente, mais natural isso vai se tornando para você. 

Até aqui você já teve uma visão geral do que são os mapas mentais e do seu poder para gerar e organizar ideias. Esse era o objetivo deste artigo. Obviamente, para que você consiga utilizá-los com fluidez em suas tarefas, você deve conhecer seus fundamentos e regras de funcionamento.

Mas isso é papo para outro artigo. Ou para um curso inteiro.

 

Douglas Noga

Estudou Pedagogia na Universidade de Salamanca, na Espanha. Atua como gerente de produto n’O Novo Mercado.

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