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O que é a paleta de cores?

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Entender e exercitar constantemente a percepção da cor é requisito básico para os envolvidos em áreas que desenvolvem suas articulações no campo visual: Artes Plásticas, Fotografia, Cinema, Arquitetura e Design (em suas ênfases: Gráfico, Moda, Produto, Web e Comunicação Visual).

A aplicação da cor em projetos não deve ser realizada de maneira puramente intuitiva.

À intuição deve-se juntar a informação (que a valoriza e fundamenta) além do processo de evidência da construção cultural simbólica da cor.

Ou seja, o profissional necessita conhecer não só a sua paleta pessoal e individual, mas também a paleta que a sua cultura constrói.

Quem é responsável pela aplicação da cor em projetos também é responsável pelo efeito que ela causará nas pessoas que irão interagir com ele.

Esta responsabilidade deve ter o compromisso de formar o canal de interação necessário para se extrair atenção, prazer, e conforto de quem vai consumir de alguma forma o resultado daquele projeto.

A cor se apresenta, se especifica e interage em três principais aspectos: o físico, o fisiológico e o cultural. Segundo o Prof. Dr. Artur Freitas no prefácio do livro Introdução à Teoria da Cor de Luciana Martha Silveira:

Em linhas gerais, o aspecto físico da cor é aquele que existe independentemente das eventuais predisposições dos organismos vivos. Dos raios gama às ondas de rádio, o registro da luz visível, de onde derivam nossas sensações de cor, corresponde a uma faixa muito pequena do espectro mais amplo das radiações eletromagnéticas. É uma informação intimidante, e não admira que os românticos tenham associado o sentimento do sublime justamente à pequenez humana diante da infinitude da natureza. Com as experiências da física, descobrimos que as cores-luz primárias diferem daquelas das cores-pigmento, e que estas, por sua vez, podem ser opacas ou transparentes. Na prática, isso significa que a fusão das cores primárias varia conforme o meio considerado, e que as misturas cromáticas virtuais de um webdesigner, por exemplo, diferem substancialmente daquelas realizadas por um pintor em sua paleta ou por um impressor em sua gráfica. Além disso, é da ciência da colorimetria que derivam os sistemas cromáticos utilizados pela própria indústria, como nos casos derivados do fabuloso sólido de Albert Munsell, que sistematizou a cor em três variáveis: o matiz, a saturação e a iluminação

O aspecto fisiológico da cor, por sua vez, consiste em considerar os diversos modos com que os estímulos luminosos são recebidos pelos olhos e transmitidos ao cérebro. As teorias da visão cromática humana.

Dentre todas, merece especial atenção a célebre lei dos contrastes simultâneos, do químico francês Michel-Eugène Chevreul, que chegaria inclusive a influenciar a paleta dos pintores impressionistas e pós-impressionistas.

Chevreul demonstrou uma verdade fisiológica apenas intuída pelos pintores: a de que as cores, longe de apresentar valores absolutos, têm o poder de se influenciar reciprocamente quando dispostas lado a lado.

Uma mesma cor, de acordo com as variações cromáticas de sua vizinhança, pode se esfriar ou se aquecer, se avermelhar ou esverdear, brilhar ou se apagar.

 

“À revelia da constância física da luz e mesmo da nossa vontade, a saturação do olho com uma cor exige uma espécie de compensação fisiológica complementar, alterando as sensações cromáticas do todo. Uma única pincelada altera um quadro inteiro, diria o obsessivo pintor Cézanne, que chegaria a trabalhar durante meses, às vezes anos, numa mesma tela”, desenvolve Freitas, no mesmo prefácio.

O aspecto cultural da cor, por fim, é sem dúvida o mais complexo, pois depende não apenas da relação com os demais aspectos, mas também de uma espécie de autocompreensão.

Socialmente, somos resultado de nossa educação, gênero, crença, etnia, condição social e atuação profissional.

Muitos de nossos gostos e práticas são partilhados com os indivíduos dos grupos aos quais pertencemos.

Por outro lado, ainda que considerados no interior de um mesmo quadro cultural, os significados das cores não são fixos, variando de acordo com os seus usos sociais concretos. O efeito psicológico de um vermelho em um semáforo, afirma Luciana Silveira, difere, por exemplo, do mesmo vermelho pintado na parede de uma residência.

Somados, os três aspectos percorrem o largo espectro da cor: dos aspectos físicos, temos os estímulos luminosos; dos fisiológicos, o sentido da visão; e dos culturais, a interpretação.

No centro desse sistema teórico, há ainda a importante distinção entre sensação e percepção. Para Silveira, sensação seria o processo de tradução fisiológica dos estímulos físicos, ao passo que a percepção consistiria na interpretação cultural e simbólica do próprio ato sensorial.

Profissionais que trabalham com cores tem o poder de direcionar as sensações e emoções de quem consumirá seu produto. É como uma proposta efetiva do que se deve sentir ao receber a informação registrada no material.

Paleta refere, literalmente, à chapa geralmente ovalada e de madeira, com um orifício para o polegar, sobre a qual os pintores colocam e misturam as tintas.

Da mesma forma, o termo paleta de cores refere, por extensão, à gama de cores preferida por determinado artista ou que caracteriza um grupo ou escola artística. Também pode ser traduzida como o conjunto de cores escolhido como plano ou estratégia para se atingir uma sensação ou objetivo específico.

Podem ser monocromáticas, análogas, complementares ou personalidades e colaboram de forma integral na definição da identidade do material produzido.

As paletas devem ser estabelecidas e, principalmente respeitadas durante todo o desenvolvimento do projeto, seja ele um logotipo, peça publicitária, web site, cartaz, filme ou afim, devendo ser descritas em manuais de marca e nos logs de produção, juntamente com os termos que referem às emoções pretendidas (que fazem referência à sensações primárias: frio, calor, alegria, tristeza, frescor e sobriedade, por exemplo).

A Teoria das Cores

A teoria moderna das cores é amplamente baseada na roda de cores de Isaac Newton, criada em  criada em 1666. A roda de cores básica exibe três categorias de cores; cores primárias, cores secundárias e cores terciárias.

As cores primárias são aquelas que você não pode criar combinando outras. São vermelho, azul e amarelo.

As cores secundárias são laranja, roxo e verde – em outras palavras, cores que podem ser criadas combinando qualquer uma das três cores primárias.

As terciárias são criadas pela mistura de uma cor primária com uma cor secundária.

A Roda das Cores

A roda de não apenas organiza cada cor primária, secundária e terciária, como também mapeia seus respectivos matizes, tons e sombras. Ao visualizar como cada cor se relaciona com a que vem ao lado na escala de cores do arco-íris, a roda ajuda os profissionais a criarem paletas de cores personalizadas que promovam harmonia estética.

Hue / Matiz

Refere ao pigmento puro de uma cor, sem sombra. Nesse aspecto, o matiz pode ser interpretado como a origem da cor. Qualquer uma das cores primárias e secundárias é um matiz.

Shade / Sombra

Refere-se ao quanto de preto é adicionado à cor, escurecendo-a.

Tint

Oposto de shade, tint refere-se ao quanto de branco é adicionado à cor, clareando-a.

Tom

O tom é o resultado de uma cor que teve o branco e o preto adicionados. Em outras palavras, o tom se refere a qualquer matiz que foi modificada com a adição de cinza – desde que o cinza seja puramente neutro e contenha apenas branco e preto.

Temperatura de cor

Cores quentes contêm tons de amarelo e vermelho; cores frias têm uma tonalidade azul, verde ou roxa; e cores neutras incluem marrom, cinza, preto e branco. A temperatura de uma cor tem um impacto significativo em nossa resposta emocional a ela. Como sugestão de emoção, por exemplo, as cores quentes propõem entusiasmo, otimismo e criatividade, enquanto as cores frias simbolizam paz, calma e harmonia.

A harmonia de cores

Provavelmente o recorte mais complexo e almejado da teoria das cores, a harmonia, refere-se ao uso de combinações que são visualmente agradáveis para o olho humano. As paletas de cores podem promover contraste ou consonância, mas precisam fazer sentido enquanto conjunto, resultando em um efeito visualmente satisfatório.

Com base na lógica do equilíbrio, a harmonia de cores envolve o espectador e estabelece um senso de ordem.

A falta de harmonia em uma paleta de cores pode resultar em uma interface sendo pouco estimulante (chata) ou super-estimulante (caótica e confusa).

Ao se construir uma paleta de cores por meio da roda, alguns caminhos se apresentam como alternativa, por exemplo o monocromatismo: trabalhar com apenas uma tonalidade e suas variações.

Cores localizadas em posições opostas na roda das cores são consideradas complementares e muitas vezes a combinação delas propõe um contraste agradavelmente provocador.

Ainda usando a roda das cores, é possível se construir paletas de cores análogas. Cores análogas são aquelas que estão próximas umas das outras e seus tons combinam intensamente, propondo conforto.

O ideal, nesse caso, é escolher uma cor dominante, uma segunda como suporte e uma terceira para acentuar partes importantes.

Por fim, é imprescindível a criação de paletas de cores para se construir a estética, por exemplo, no cinema. Porém, ainda mais importante é o uso da cor como suporte para a narrativa do filme.

Cores tem a capacidade de transmitir emoções, propondo sensações e sugerindo comportamento. Combinações específicas de cores conseguem se comunicar conosco e são co-responsáveis pela nossa imersão no universo onde a história se passa e, por conta, pelo nosso envolvimento no filme.

O cinema foi apenas um exemplo.

O aprofundamento nas considerações na construção de uma paleta de cores é muito importante e extensível à todas as áreas que se desenvolvem e articulam no campo visual.

Impossível abordar paletas de cores sem discorrer, ainda que brevemente, sobre a teoria da cor – que é uma ciência extremamente complexa e muitas pessoas dedicam suas vidas inteiras à ela.

O importante é a compreensão das nuances psicológicas e a lembrança de sempre se considerar e analisar todas as conexões possíveis entre as cores e as propostas de sensações, comportamento, narrativa e mensagem.

Como disse uma vez o escritor e dramaturgo Oscar Wilde:

Uma cor, mesmo sem significado ou forma, é capaz de falar à alma de mil maneiras diferentes

Marcos Rodrigues

Marcos Rodrigues é arquiteto e dedica grande parte de sua vida profissional à pesquisa de soluções, métodos e protocolos de comunicação eficiente. Entusiasta da organização, do branding e do design, atua como consultor de marcas, negócios e processos.

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