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O que é a Pirâmide de Maslow?

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No livro O Indivíduo na Organização – Dimensões Esquecidas, do sociólogo e especialista em antropologia empresarial e gestão intercultural Jean-François Chanlat, o psicanalista Manfred F. R. Kets de Vries descreve, no curioso artigo: Inveja, a grande esquecida dos fatores de motivação em gestão, que a complexidade desse tema – a motivação – gerou diversas teorias: tudo se passa como se cada pesquisador interessado pelo fenômeno da motivação se sentisse obrigado a elaborar a sua própria teoria.

Há a teoria das necessidades (Maslow, McClelland, Alderfer) a teoria dos dois fatores (Herzberg, Mausner, Snyderman) a teoria das expectativas ou instrumentalidade (Vroom), a teoria do reforço (Skinner, Connellan), a teoria dos objetivos (Locke, Bryan) e a teoria da equidade (Homans, Adams), enfim, apenas para registrar as mais influentes.

As queixas expostas pelos indivíduos são importantes indicadores de seus desejos.

Abraham H. Maslow nasce em 1° de abril de 1908, no Brooklyn (New York), onde residiu até estudar Direito na City College of New York, obedecendo a vontade de sua família. Em 1928, fez pós-graduação em Psicologia, na Universidade de Wisconsin.

Maslow desejava uma carreira que “ajudasse a mudar o mundo”. Em 1931, ele recebeu o mestrado e, em 1934, seu doutorado. Todos os estudos em psicologia.

Durante a década de 1940, desenvolveu sua influente Hierarquia de Necessidades Inatas: exercendo o Magistério no Brooklyn College, buscou compreender e explicar o fenômeno da motivação humana, agregando todas as abordagens possíveis existentes.

Durante a Segunda Guerra Mundial, mentorado pelo psicólogo Max Wertheimer e a antropóloga Ruth Benedict, realizou um estudo sobre motivação em pessoas emocionalmente saudáveis e de alto desempenho profissional – características essas que posteriormente passaram a definir o topo de sua pirâmide.

Tornou-se chefe do departamento de psicologia na Brandeis University, onde devotou toda sua energia por algo muito mais importante que o desenvolvimento de sua teoria: a psicologia humanista. Foi em Brandeis que conheceu o neurologista Kurt Goldstein, quem o introduziu ao conceito de auto realização como tradução para indivíduos emocionalmente saudáveis e de alto desempenho profissional.

Em 1954, Maslow publicou o livro que sintetiza quase 15 anos de desenvolvimento da sua teoria: Motivação e Personalidade.

A Hierarquia das necessidades básicas

Conhecida como ‘Pirâmide de Maslow’ ou ‘Hierarquia de necessidades de Maslow’, a teoria é descrita por ele em seu livro: “Esta teoria é, penso eu, da tradição funcionalista de James e Dewey, e é fundida com o holismo de Wertheimer, Goldstein, com a psicologia da Gestalt e com o dinamismo de Freud, Fromm, Homey, Reich, Jung e Adler. Essa integração ou síntese pode ser uma teoria holística-dinâmica”.

Segundo Maslow, as necessidades humanas estão estruturadas e organizadas em níveis, numa escala de importância e influência.

Por ordem decrescente de urgência, as necessidades foram classificadas em: fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de auto realização. Portanto, a mais básica e essencial é a fisiológica e a menos urgente é a necessidade de auto realização.

Níveis de necessidades

Maslow indica diversos medidores, ainda que abstratos, do nível de necessidade. A atenção é integral às queixas expostas pelas pessoas, visto que elas são importantes indicadores de seus desejos. Segundo ele, por sempre estarem querendo algo que não possuem, os indivíduos sempre irão se queixar, independentemente do nível de suas necessidades. Quanto mais elevado for o nível de necessidades, mais altos serão seus desejos e, com isso, mais intensas serão as queixas e insatisfações. Vice-versa.

Necessidades Fisiológicas

O nível mais baixo da pirâmide: é indispensável e, por isso, estrutural. Como descreve Idalberto Chiavenato em seu livro Introdução à Teoria Geral da Administração: “Estão relacionadas com a sobrevivência do indivíduo e com a preservação da espécie. São necessidades instintivas e que já nascem com o indivíduo. São as mais prementes de todas as necessidades humanas”.

São as necessidades que se relacionam com o ser biológico, como: ar, água, alimentação, abrigo, sono e repouso, homeostase e excreção, entre outras.

Necessidades de Segurança

É o segundo nível da estrutura e ele só passa a ser considerado quando o nível anterior está relativamente satisfeito. É relacionado às necessidades das sensações de segurança: busca da proteção e a estabilidade dessa proteção contra ameaça ou privação, não só em relação ao próprio corpo, como também, em relação ao emprego, à família, à saúde, à propriedade, aos recursos financeiros e à moral.

Necessidades Sociais

Se apresentam no terceiro nível da estrutura e, da mesma forma, só passam a ser consideradas quando os dois níveis anteriores estão relativamente satisfeitos. Esse nível está relacionado às necessidades de construir associações e manter relações humanas harmônicas como: ser membro de um clube, exercitar a amizade, receber afeto e carinho de familiares e se relacionar sexualmente de forma saudável e satisfatória.

O afunilamento desse nível para o próximo é consideravelmente mais importante. Prova-se que, quando as necessidades sociais não estão satisfeitas, o indivíduo tem muita dificuldade de se adaptar socialmente, tende a tornar-se hostil em relação aos demais e conclui em isolamento e solidão. Por outro lado, quando essas necessidades estão supridas, há melhor rendimento profissional do indivíduo.

Necessidades de Estima

As necessidades de estima compõem o quarto nível e são divididas em duas abordagens principais: a primeira, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais; a segunda, o reconhecimento, por parte dos demais, da nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos. Elas envolvem a auto-apreciação, a autoconfiança, a necessidade de aprovação social e de respeito, de status, de prestígio e de consideração. Incluem ainda o desejo de força e de adequação, de confiança perante o mundo, independência e autonomia”. Quando essas necessidades não são supridas, o indivíduo pode desenvolver  sentimentos de inferioridade e dependência, concluindo em desânimo e desmotivação profissional.

Necessidades de Auto Realização

Estão no topo da pirâmide e compõem o quinto e último nível da estrutura. São as necessidades mais elevadas, que podem ser conhecidas também como necessidades de crescimento pessoal. Estão relacionadas ao autodesenvolvimento contínuo: ser sempre aquilo que se pode ser e fazer o que se gosta e é capaz. A insatisfação perante essas necessidades propõem desafios tão interessantes quanto arriscados. Envolvem incerteza e, portanto, muita coragem.

Considerações

Segundo Maslow:

  • O nível posterior de necessidades só é considerado quando o inferior estiver satisfeito. Ou seja, apenas quando uma necessidade é saciada, passa a possibilitar que o nível m
  • Nem todos os indivíduos conseguem alcançar o ponto mais alto da hierarquia proposta por Maslow. Conforme Chiavenato: “Algumas chegam a se preocupar com as necessidades de auto realização; outras estacionam nas necessidades de estima; outras ainda, nas necessidades sociais, enquanto muitas outras ficam preocupadas exclusivamente com necessidades de segurança e fisiológicas, sem que consigam satisfazê-las adequadamente”.
  • Os indivíduos sempre serão movidos pelas necessidades que se apresentarem mais importantes ou faltantes.
  • Os indivíduos podem sentir necessidades simultâneas e, portanto, motivação para escalar a hierarquia de forma caótica.
  • As necessidades fisiológicas se satisfazem mais rápido e se renovam de forma inversamente proporcional às necessidades dos níveis mais superiores.

Críticas

Tanto Cecília Bergamini e Roberto Coda em seu livro Psicodinâmica na Vida Organizacional: Motivação e Liderança quanto Stephen P. Robbins em Organizational Behaviour, acreditam que a teoria das necessidades de Maslow não é consistente, principalmente por estar apoiada em evidências muito restritas de pesquisas empíricas.

Para o filósofo e economista chileno Manfred Max Neef, as necessidades fundamentais do indivíduo não hierárquicas: são ontologicamente universais e invariáveis em sua natureza. Segundo ele, a pobreza é o resultado de uma destas necessidades ter sido frustrada, negada ou não plenamente realizada.

Para Chiavenato, a pirâmide sugere que é preciso passar pelos níveis para chegar no topo, mas há pessoas que alcançam a auto realização sem passar necessariamente por todos eles. Em outros casos, há indivíduos que, ainda realizados, sentem a falta de algo.

Embora seja muito questionada em termos de validade, ainda hoje é uma das teorias sobre motivação mais conhecidas. Isto pode ser atribuído à lógica intuitiva e à facilidade de compreensão.

Mas o que Robbins considera como lógica intuitiva, o psicólogo Jader dos Reis Sampaio (em seu artigo: O Maslow Desconhecido: uma revisão de seus principais trabalhos sobre motivação) considera como uma equivocada interpretação, onde simplificaram em demasia os conceitos da teoria das necessidades:

Isto torna-se claro por meio de uma leitura um pouco mais cuidadosa da obra de Maslow, onde é possível perceber o quanto os estudiosos reduziram e descaracterizaram seu pensamento..., diferentemente do que se pensa, seus estudos sobre motivação humana tinham em vista o desenvolvimento de uma teoria que pudesse servir de base para a compreensão do homem inserido na sociedade, e não se aplica facilmente quando reduzida ao aspecto da vida laboral.

De acordo com Sampaio, em diversas conferências, o próprio Maslow destacava que os indivíduos possuem diferentes necessidades de motivação.

Segundo ele, alguns funcionários não buscam a auto realização no ambiente de trabalho, preferem tentar encontrá-la em outro espaço social. Forçar a idéia de realização pelo trabalho, alinhando-a à propósitos conceituais ou objetivos de alguma organização, pode gerar resistência e indignação.

Quanto a tendência global de simplificar a teoria de Maslow, provavelmente eles tenham a intenção de se utilizar de uma modelagem que objetiva provocações muito complexas para direcionar, sugerir ou até resolver dúvidas ou insatisfações num cenário mais convencional.

A complexidade do tema motivação é descrita tanto pelo já citado Vries, que o considera um dos temas mais abordados, mas um dos menos compreendidos no comportamento organizacional, quanto por Frederick Herzberg (autor da Teoria dos Dois Fatores), para quem a psicologia da motivação é muito complexa e o que se desenvolveu, com algum grau de certeza, é ainda insuficiente.

Abraham Maslow era entusiasta e foi precursor da Psicologia Humanista. A Teoria das Necessidades embasou o estabelecimento desse ramo da psicologia que hoje é considerado como terceira força ao lado da psicanálise e da psicologia comportamental.

Ela ensina que o indivíduo possui em si uma força de auto realização que o conduz ao desenvolvimento de uma personalidade criativa e saudável.

Considerando os princípios da Gestão Humanizada, a utilização (ainda que numa interpretação simplificada) da Pirâmide de Maslow pode ser oportuna como ferramenta para a adequação dos processos produtivos às necessidades dos indivíduos envolvidos, de forma que a produtividade desejada conviva harmoniosamente com bem-estar e satisfação.

 

 

Marcos Rodrigues

Marcos Rodrigues é arquiteto e dedica grande parte de sua vida profissional à pesquisa de soluções, métodos e protocolos de comunicação eficiente. Entusiasta da organização, do branding e do design, atua como consultor de marcas, negócios e processos.

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