Marketing Digital

Produzir conteúdo é doloroso

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Bom, antes de entrar no tema eu quero que você saiba que já nos encontramos antes.

É possível que você tenha topado comigo em um dos meus textos, em um anúncio do YouTube, em algum documentário que assistiu por aí ou na promoção de algum produto que comprou no mês passado. 

Produtores de conteúdo são os sujeitos que dão voz ao que você assiste, enxerga e lê aqui dentro.

Em março de 2021 fará quatorze anos que trabalho com internet. O mundo que eu encontrei quando cheguei aqui já não existe mais – e, de certa forma, isso é muito bom.

São quatorze anos dizendo para as pessoas, repetindo para cada um que me pergunta como a internet pode ajudá-los a desenvolverem os seus negócios, que isso daqui “é o futuro”. Que estar aqui, conectado, é uma obrigação.

A verdade é que a internet se divide em dois grupos: produtores e consumidores.

Tem quem ganhe dinheiro com isso daqui, produzindo conteúdo, solucionando problemas, entretendo ou vendendo coisas e tem um exército de pessoas que usa as redes sociais como entretenimento. São elas que pagam o almoço.

A primeira coisa que eu tenho que fazer é convencer o sujeito de que estar aqui vale a pena. É quase sempre a mesma coisa: mostrar que há dinheiro nesse negócio, que as pessoas que usam as redes sociais compram, que o influenciador é uma carreira sustentável…

Esse é o caminho mais fácil. Dois ou três bons argumentos já são o suficiente – e, conforme o trabalho online se estabelece como regra e não como exceção, fica cada vez mais fácil. O desafio de verdade vem agora: convencer as pessoas a produzirem conteúdo.

Produzir conteúdo é doloroso do começo ao fim. As pessoas não estão acostumadas à escrita, sentem que não conseguirão gravar bons vídeos e que não haverá evolução.

O pior: adicione a tudo isso uma das grandes dificuldades da nossa geração, que é ser constante. Produzir um único conteúdo genial não adianta de nada. É preciso tirar pelo menos um coelho da cartola todos os dias, sete dias por semana.

E é aqui que a maioria desiste. Durante muito tempo eu olhei para esse cenário e o chamei de “corrida das tartarugas”. Quando eu era criança, em uma dessas aulas de biologia, assisti um documentário que mostrava filhotes de tartaruga, que tentavam chegar até o mar. Enquanto se arrastavam na areia, tudo que era bicho tentava matá-las – siris, pássaros, peixes… –, e um batalhão se tornava meia dúzia de sobreviventes.

Como eu disse, durante muito tempo ficava olhando a morte dos produtores de conteúdo e concluindo: “Isso daí é duro mesmo. Será que é pra mim?”.

Tudo mudou quando eu passei a ressignificar essa “caminhada para a morte”. De repente houve o estalo: “Se há tanta gente morrendo e se chegar lá é tão difícil, as coisas são até que bem tranquilas para quem conseguiu”.

Aquele era uma espécie de ensaio para o que, mais de uma década depois, se tornaria o bordão “Não existe concorrência”. O fato é que não existe mesmo.

Em novembro do ano passado, o Joe Rogan, hoje uma celebridade lá nos Estados Unidos, assinou um acordo de cem milhões de dólares com a Spotify. A empresa adquiriu os direitos dos seus quase onze anos de trabalho e disponibilizou tudo lá.

Quem vê de fora pensa: “Que sorte!” ou “O garoto propaganda que eles precisavam”. Os ainda mais alheios acham que o ex-comentarista do UFC cresceu graças à “onda de podcasts no YouTube”, mas a verdade é que ele já produzia há mais de uma década. Conteúdo e frequência.

Eu lembro como se fosse hoje, lá em 2017, quando eu testemunhei a aproximação do Thiago Nigro com a XP.

Trabalhávamos juntos, no que seria o projeto de um documentário sobre o processo de enriquecimento, quando assisti o seu crescimento, que foi dos cem mil seguidores para quase dois milhões. A XP, maior corretora do país, assinou um contrato e levou ele pra dentro.

Eu não faço ideia de quantas contas foram abertas pelo “Primo”, mas posso te garantir que ninguém ali dentro se arrependeu. O segredo? O mesmo: conteúdo e frequência.

Existem cinco grandes motivos que te afastam do tal “crescimento” aqui na internet.

  • A ideia de que acontecerá rápido. Não irá. Fiquei de 2012 até 2016 produzindo conteúdo diário no Facebook, sendo ignorado na maior parte das vezes. Foram quatro anos fazendo posts que estavam destinados a serem lidos apenas pela minha esposa.
  • Você perderá alguns amigos. Não tem como fugir. Conforme você cresce, quem convive com você passará a se “importar com as suas ideias”. Se produzir bom conteúdo requer personalidade, personalidade afasta pessoas. Se você decidiu entrar de vez nesse mundo, saiba: tomará algumas pedradas.
  • Aparência importa. Essa foi uma das últimas lições que eu aprendi – e faz só um ano e pouco. Durante muito tempo eu defendi que bastava escrever bem que tudo estaria resolvido. Bobagem. Retardei muito o meu crescimento pela simples recusa (sou teimoso) em investir numa estrutura melhor. Celular é investimento. Compre algumas luzes, um microfone razoável e, assim que tiver algum dinheiro sobrando, contrate um designer para dar um belo tapa no seu perfil. Mudará muito.
  • Poucos amigos bastam. No começo você quer “fazer contato” com todo mundo. Te vendem a ideia de que networking é rei, mas a verdade é que, dois anos depois, a maior parte das pessoas que você conheceu aqui dentro terá passado. Está cada um tentando encontrar os seus dois centímetros de vitrine, então não se apegue muito à ideia de que haverá parceiros pra vida toda por aqui. Eles são exceção.
  • Você sentirá vergonha dos seus primeiros conteúdos – e isso é muito bom! Relaxe, o que você está produzindo agora não é o que as pessoas verão quando seu perfil tiver crescido. Você melhorará sua escrita, seus vídeos ficarão mais naturais e o seu cenário mais bonito. Não se compare com a influenciadora que está nisto há dez anos.

Hoje, quando as pessoas me encontram na rua ou num churrasco de amigos, digo que trabalho pela internet elas já não estranham tanto. Embora o trabalho de um influenciador esteja cada vez mais popular, o de um produtor de conteúdo ainda é completamente desconhecido.

Acredite, o mercado é enorme e as oportunidades estão só começando.

 

Ícaro de Carvalho

Empresário, redator publicitário e business designer, foi um dos responsáveis pela criação do Brasil Paralelo, de O Código da Riqueza, da Liberta Global, do Portal do Trader, do portal O Primo Rico, do Grupo Estratégia e do We-Audit, dentre outras empresas líderes em seus segmentos. Atuou como CMO da Avenue Securities e hoje é CEO da escola O Novo Mercado.

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