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O que é brainstorming?

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Em 1919, o publicitário norte-americano Alex Faickney Osborn juntou-se a Bruce Fairchild Barton e Roy Sarles Durstine para formar a agência de publicidade BDO. Osborn atuou como gerente da filial de Buffalo em New York e foi o grande responsável pela fusão da BDO (Barton, Durstine & Osborn) com a George Batten Company para criar a BBDO em 1928.

No final dos anos 1930, Osborn estava entediado. Reuniões e mais reuniões se repetiam na BBDO e eram tudo, menos inspiradoras: duravam muito, eram cansativas e, exatamente por isso, pareciam inibir qualquer manifestação mais interessante de criatividade.

Osborn então propõe um processo de desenvolvimento criativo e o batiza de “ideação organizada”. Os primeiros participantes desse processo se referiram às suas tentativas como “Sessões de brainstorming”, no sentido de que estavam usando o cérebro para atacar um problema (em sua tradução original: using the brain to storm a problem).

Alex Osborn atribuiu a inspiração do processo ao método indiano prai-barshana, tradicionalmente usado por mais de 400 anos. Durante essas sessões, não há discussão ou crítica – a avaliação das idéias ocorre em reuniões posteriores com o mesmo grupo.

Hoje, o brainstorming é um dos métodos mais populares de geração de ideias e é útil para auxiliar no desenvolvimento da criatividade dentro dos negócios. 

Jonah Lehrer define em seu livro Imagine: How Creativity Works:

Por meio de expressões espontâneas dentro de um grupo, sem julgamento ou crítica, um grande número de idéias é gerado e desenvolvido a fim de resolver um problema específico

Uma das razões pelas quais o brainstorming funciona é que as idéias acabam gerando mais idéias por meio do poder da associação – um processo que tem sido chamado de ‘carona’. Além disso, a técnica da livre associação é tanto mais poderosa quando se está trabalhando em grupo do que quando se está trabalhando sozinho. A recompensa também é outro fator que leva a uma maior manifestação da livre associação e, por conta, da criatividade: na fase de geração de ideias em um brainstorming, todas as sugestões devem ser recebidas, listadas e celebradas. Nada é criticado; não há conotação negativa.

O método tradicional tem protocolo e procedimento. Vale a pena elaborá-los, ainda que brevemente:

Antes de uma sessão de brainstorming

Antes de começar, certifique-se de entender um dos fundamentos primordiais do método: preparar e presidir a sessão. Com uma boa organização e o ambiente adequado, os objetivos podem ser alcançados de forma fácil, rápida e divertida.

Reúna um grupo de integrantes e interessados, por exemplo: funcionários, colaboradores, especialistas ou convidados que possam trazer conhecimento relevante ou experiência de outros campos para a sessão. Quanto mais participantes com perspectivas diferentes, melhor.

Um grupo de 4 a10 pessoas é tido como ideal por um motivo simples: um grupo muito pequeno tende a produzir menos idéias e tem menor potencial de livre associação. Por outro lado, um grupo muito grande pode ser complicado de controlar e presidir. 

No mais é imprescindível garantir um coletor de idéias: algo como uma lousa, um flip-chart ou um grande espaço para se colar folhas (ou post-its): Durante toda a sessão, todos os participantes podem ver e consultar todas as idéias, sempre que desejarem. 

No capítulo Gruppenleistung do livro Sozialpsychologie (K. Jonas, M. Hewstone) Henk Wilke e Arjaan Wit reforçam a importância do método: “A questão a ser discutida e as idéias geradas devem estar sempre visíveis para todos”.

O presidente deve preparar um material ilustrativo e usá-lo como suporte para uma apresentação clara do problema ou proposta ao grupo. O objetivo é que todos possam se familiarizar com ele. O tópico não deve ser genérico, diversificado ou multifacetado – nada do tipo: ‘como podemos salvar o mundo?’. Por outro lado, também não muito específico. 

Essas informações devem ser enviadas dias ou semanas antes da reunião e incluir o nome da sessão, hora, data, local e nomes dos participantes. Além disso, algumas idéias de solução podem ser mencionadas como exemplo e podem ser lembradas como provocação em caso de lentidão na sessão. Além disso, é recomendável ao presidente criar um lista de possibilidades e usá-la em casos de desânimo – sugeri-las e provocar: que tal olhar por outra perspectiva?

No início da reunião, informe sobre o processo e estabeleça as regras de forma clara aos participantes: informe-os sobre os objetivos e o que acontecerá com os dados coletados.

Freqüentemente, o presidente começa a sessão dando um exemplo de solução para o problema, a próxima pessoa desenvolve essa idéia ou apresenta uma nova e assim por diante. Além disso, converse com um facilitador experiente: alguém reconhecido por ser criativo, rápido e sagaz. A função desse participante é de mediador, questionando e provocando o participante, alongando a descrição da contribuição quando necessário. Esta participação exige habilidade, então, escolher o participante com sabedoria pode definir entre maior e menor o sucesso da reunião.

Durante a sessão de brainstorming

Outro momento de importância extrema: aqui a quantidade deve estar verdadeiramente acima da qualidade. O presidente deve estimular os participantes a pensar rápido, alongar cada idéia apenas o realmente necessário e optar, sempre, pela quantidade – quanto mais idéias um grupo tiver para escolher no final, melhor. Se o número de idéias for muito grande, haverá uma chance maior de se encontrar uma boa solução.

Durante o brainstorming, não se deve pensar em dificuldades potenciais ou outras idéias tradicionais, incluídas as que podem já não ter dado certo – deve-se esquecer o passado e pensar no novo.

Cada pessoa tem uma perspectiva única, então é impossível saber de onde virá uma boa idéia. Melhor: é impossível saber de onde virá uma boa sugestão de idéia – uma palavra ou conjunto delas, suficiente para trazer a solução definitiva à campo. 

Cada participante deve ter a mesma chance de apresentar seus pensamentos e nenhuma idéia deve ser bloqueada. Essa assertiva não é apenas útil para o método, mas também essencial para incentivar todos os participantes, deixá-los à vontade com o ambiente e permitir que sintam-se livres e confiantes para apresentar suas idéias.

Uma sessão de brainstorming é uma oportunidade (e uma ferramenta) divertida, não é um debate.

Portanto, durante a sessão, não se deve analisar ou criticar as idéias dos outros, nem permitir que isso se dê entre os participantes. Deve-se manter positivo e apenas dar-lhes a sensação de que podem dizer o que pensam sem medo de vergonha ou julgamento. 

Toda contribuição é extremamente valiosa, daí, não existem idéias “idiotas”: todas são muito bem-vindas, mesmo a mais maluca. Na verdade, quanto mais selvagem for a idéia, melhor. Pode ser exatamente dela que vem a proposta disruptora e a mais verdadeira tradução do think outside the box. Lembre-se: é uma sessão de brainstorming – uma reunião divertida com proposta criativa, em que toda a equipe está envolvida para o sucesso de uma questão.

Avaliação e seleção de idéias

Visitando com atenção a literatura e os registros originais do método, há alguma controvérsia: o grupo que avalia as idéias no próximo encontro deve ser o mesmo do brainstorming original? 

Parte argumenta que pode-se produzir alguma discórdia ou desestímulo, pedir ao grupo que gerou as idéias não participar do resto do processo. Reações negativas seriam advindas, por exemplo, da certeza que um ou outro integrante da mesma organização irá criticar a maior parte das idéias e decidir quais devem ser descartadas. 

Se os membros do grupo original estão suficientemente familiarizados e interessados no problema – e isso não é tão difícil de perceber durante a primeira reunião -, eles provavelmente estão qualificados para continuar o processo. Neste caso, a vantagem é a  conexão entre a geração de idéias, a avaliação e o posterior desenvolvimento delas: a participação integral em todo o processo pode ratificar o comprometimento com a solução ou o plano final e promover grande motivação pessoal.

A outra parte acredita que a avaliação deve ser feita por indivíduos que estejam mais cientes das viabilidades e possam ser mais objetivos. Em resumo, essa outra linha recomenda que a avaliação final será feita pelos responsáveis ​​diretos pelo problema.

Antes de começar a considerar a lista de idéias, o grupo de avaliação deve estabelecer critérios para examinar cada uma delas. Esse regramento pode incluir questões sobre a viabilidade, complexidade, custos, fatores humanos, tempo, qualidade, melhorias, recursos, segurança, fluxo, prazo e, claro, outros fatores que sejam pertinentes.

Na maior parte das vezes, as idéias serão utilizadas como um trampolim para o desenvolvimento de planos mais estruturados ou a estratégia para a solução. Elas podem passar por vários grupos diferentes antes de se constituírem numa solução organizada. É a natureza do tópico ou problema que determinará como as idéias serão tratadas posteriormente.

Osborn compreendeu o incrível potencial de suas sessões quando utilizou uma lista de idéias desenvolvidas anteriormente com um propósito específico na resolução de problemas posteriores em outros processos criativos. A chave para o sucesso do método é que nenhuma avaliação, crítica ou julgamento seja feita quando as idéias estão sendo geradas. É isso que garante a longevidade da idéia (ainda que ela não tenha sido selecionada para seu propósito original): a criatividade não é sufocada, ela é aumentada. O objetivo é gerar tantas idéias relacionadas ao tópico ou questão específica quanto possível. E colecioná-las. 

Estudos têm demonstrado que a qualidade das idéias geradas por um grupo tendem a melhorar à medida que esse grupo participa de mais sessões do método.

Brainstorming individual

John R. Hayes desenvolve em seu livro The Complete Problem Solver, que o brainstorming também pode ser conduzido individualmente. 

O regramento sugere que o indivíduo anote as idéias e possíveis soluções para o problema ou proposta, obrigando-se a manter o fluxo literalmente contínuo de escrita: as idéias devem fluir da caneta sem parar. 

Utilizar o brainstorming dessa forma pode ser extremamente eficaz por promover desatenção à um dos principais bloqueadores da criatividade: a autocrítica. 

Muitas vezes citada como ‘conversa interna negativa’, tem como exemplo pessoas cujas idéias costumam ser acompanhadas pelo pensamento:

Que contribuição estúpida, essa minha. Certamente vão rir de mim. Com alguma sorte, vão concluí-la desinteressante

Pessoas que tendem a criticar muito a si mesmas, muito provavelmente não compartilharão idéias com outras. Em organizações, essas pessoas não se ofereceriam (ou teriam participação menos importante) em sessões coletivas de brainstorming. O desenvolvimento individual do método pode se constituir numa interessante estratégia de inserção.

Como exercício eficaz de criatividade, o objetivo do processo de brainstorming é incentivar a produção contínua de idéias desinibidas. Se, em algum momento, o fluxo é interrompido e as ideias demoram a surgir, a releitura da escrita já realizada pode desencadear o reinício do fluxo. Então, é importante estabelecer limites de tempo, máximo e mínimo, para a sessão individual. Como em uma sessão de grupo, apenas após a coleção de um volume interessante, o indivíduo pode considerar a lista e selecionar as idéias que parecem mais importantes para resolver o problema.

Uma sessão de brainstorming individual também pode ser eficaz quando se está tentando escrever: da mesma forma como a fase de geração de ideias pode produzir soluções para um problema, também pode ajudar a superar alguns bloqueios e possíveis inibições percebidas quando do confronto com uma página em branco.

Marcos Rodrigues

Marcos Rodrigues é arquiteto e dedica grande parte de sua vida profissional à pesquisa de soluções, métodos e protocolos de comunicação eficiente. Entusiasta da organização, do branding e do design, atua como consultor de marcas, negócios e processos.

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