Geral

Dados: a nova galinha dos ovos de ouro

OUTROS ARTIGOS

Quase 30 pessoas e um monte de camisinhas

Como ganhar dinheiro na Internet?

Como trabalhar em casa?

Nos últimos doze meses, a pandemia do novo coronavírus acelerou um fenômeno que já vínhamos presenciando havia algum tempo: a digitalização de diversas atividades. As restrições de circulação impostas em todo o país mudaram a forma como trabalhamos, consumimos e nos relacionamos com os outros. 

Os impactos dessas mudanças, no entanto, foram sentidos de diferentes maneiras. De um lado, grandes organizações, que já vinham passando por um processo de transformação digital, se depararam com uma oportunidade inédita de expandir seus negócios. Do outro, pequenas empresas precisaram correr contra o tempo e se digitalizar às pressas. Afinal, a resposta para resistir à crise – e até crescer, apesar dela – pode estar nos dados.

O Novo Petróleo

O surgimento dos computadores e a expansão da Internet provocaram uma explosão da quantidade de dados gerados e revolucionaram a nossa capacidade de armazená-los e organizá-los. Algumas estimativas dão conta de que, atualmente, a cada dois dias, geramos a mesma quantidade de dados criados em toda a história, até o início dos anos 2000. Segundo o International Data Corporation, a esfera global de dados deve chegar a 175 zettabytes em 2025.

O compartilhamento de dados, por sua vez, nunca foi tão veloz, devido ao número cada vez maior de dispositivos inteligentes que se comunicam entre si e com seus servidores. O termo “Big Data” refere-se justamente à capacidade de coletar e usar dados em uma ampla gama de áreas, incluindo os negócios.

“A cultura de ser uma organização orientada a dados e que utiliza os canais digitais de forma correta não é algo que surge rapidamente: depende de infraestrutura, pessoas capacitadas, metas e objetivos para uso desses dados, além, obviamente, dos dados em si. Não foram poucas as empresas que perceberam não possuir um ou mais desses itens, e que precisaram correr atrás”, diz o cientista de dados e VP Growth & Strategy da Math Marketing, Marcel Ghiraldini.

Não por acaso, os dados são conhecidos como “o novo petróleo”. Não importa a natureza do seu negócio: seja ele B2B ou B2C, essas informações podem ajudá-lo a entender o perfil do seu consumidor e as mudanças em seu comportamento, abrindo caminho para boas oportunidades.

“Uma empresa orientada por dados tem muito mais probabilidade de entender quem são seus clientes que geram mais valor e, em seguida, oferecer produtos, serviços e promoções que sejam atraentes para eles. Essa é uma vantagem competitiva crucial em qualquer momento, mas torna-se ainda mais essencial quando se trata de enfrentar um cenário de incerteza econômica”, explica Brenno Drummond Valério, diretor da Acquia para a América Latina.

Como os dados podem ajudar sua empresa

O Big Data se baseia no princípio de que, quanto mais se sabe sobre determinado assunto ou situação, mais confiáveis são as previsões que podem ser feitas sobre o seu comportamento futuro, e mais fácil é obter novos insights. A análise minuciosa dos dados pode ajudar a tomar decisões mais inteligentes e, consequentemente, tornar os negócios mais competitivos. “Ter uma boa estratégia de dados do cliente é uma das únicas maneiras de realmente fazer com que um negócio seja ‘à prova do futuro’”, destaca Valério.

“Quase tudo que fazemos atualmente gera dados que, combinados, podem trazer informações riquíssimas e nos gerar diversos insights. A partir deles, é possível descobrir, por exemplo, as melhores ofertas que potencializam a conversão, ou quais canais performam melhor depois de algumas ações definidas”, ilustra Ghiraldini.

Normalmente, apesar de as pequenas empresas contarem com uma quantidade muito menor de dados, elas conseguem colocar em prática mais rapidamente as ideias trazidas por essas informações. Por isso, o uso de dados é muito bem-vindo nesses empreendimentos e pode ajudar, por exemplo, a:

  • Compreender o que motiva seus clientes

Ao interpretar dados, as pequenas empresas podem ter uma visão mais completa de seus clientes, entendendo os motivos que os levam a comprar, como preferem concluir a compra e por que recomendam seu produto ou serviço a outras pessoas.

A análise de dados também permite que as organizações interajam mais com seus consumidores e analisem melhor os feedbacks que recebem. “Com uma análise significativa, as empresas podem gerar uma jornada do cliente que tenha mais valor. Os consumidores querem ser compreendidos e desejam que sua experiência seja relevante”, diz Valério.

  • Identificar tendências

Até pouco tempo atrás, antecipar tendências era algo que se fazia de maneira quase que intuitiva. Hoje, no entanto, é possível analisar detalhadamente o comportamento de consumidores on e offline. Os dados gerados a partir dessa observação podem ajudar a prever, com precisão, o que as pessoas desejarão consumir  e quando. 

  • Analisar a concorrência

Foi-se o tempo em que era preciso ir a campo para descobrir o que os seus concorrentes estavam fazendo e como o público reagia a essas ações. Hoje em dia, ferramentas como o Google Trends, e até mesmo as redes sociais, são capazes de fornecer insights bastante relevantes sobre a popularidade de uma marca ou produto.

  • Melhorar as operações

O Big Data também é cada vez mais usado para otimizar processos. A partir dele, é possível descobrir, por exemplo, o custo de cada cliente e o lucro que ele traz (ou não) para a sua empresa, permitindo que sejam feitos os ajustes necessários em sua estratégia de marketing digital.

São tantas as possibilidades trazidas pelo Big Data que, não raramente, é comum pensar que ele seja um artifício do qual apenas grandes corporações podem tirar proveito. Mas, atualmente, já existem diversas plataformas de software no mercado com baixo custo, ou até gratuitas, que viabilizam a coleta e análise de dados. “Muitas vezes, empresas pequenas e médias não precisam de customizações avançadas para usar esses sistemas, e muitos deles já oferecem modelos prontos. A recomendação é pesquisar as opções de uso e buscar avaliações de outras empresas de porte similar. É possível encontrar sites, blogs e muitos vídeos na internet com reviews e dicas de uso dessas plataformas mais simples”, indica Ghiraldini.

Já Valério diz que, para quem tem poucos recursos, uma das maneiras mais simples de se começar a montar uma base de dados é por meio da criação de programas de fidelidade.

Faça isso, e você terá um conjunto de dados que mostra os tipos de produtos ou serviços pelos quais seu cliente é mais atraído, a que horas do dia eles têm maior probabilidade de fazer compras, quais produtos geralmente são comprados juntos, e assim por diante

Big Data, Big Concerns

Se o uso de dados cria oportunidades sem precedentes, ele também levanta alguns questionamentos e preocupações. Uma das principais diz respeito à privacidade: afinal, como garantir que os serviços baseados em Big Data, que nos trazem tanta comodidade, não façam mau uso de nossas informações pessoais?

A segurança e a discriminação de dados são outros pontos que merecem atenção, e motivaram a criação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Sancionada em 2018 pelo então presidente Michel Temer, a LGPD se baseia em regulamentações já existentes nos Estados Unidos e em outros países da Europa, e estabelece diretrizes para o tratamento de dados pessoais no Brasil.

Organizações que desejam aproveitar as vantagens dos dados devem ficar atentas às novas normas, para evitar problemas não apenas de reputação, mas também legais e financeiros. Ghiraldini dá a dica:

Tenha uma plataforma para armazenar suas informações de maneira organizada. Estabeleça um objetivo e entenda como os dados irão ajudar a alcançá-lo, e garanta que todos eles sejam utilizados apenas mediante autorização explícita dos donos

Luiza Bravo

Luiza Bravo é jornalista. Já trabalhou nas maiores redações do país, escrevendo sobre política e economia, com criação de conteúdo e assessoria de imprensa. Hoje, se divide entre muitos roteiros de documentários, e vive em busca de uma boa história para contar.

Leia Mais

Utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse em nossa plataforma e em serviços de terceiros. Ao navegar pelo site, você autoriza a empresa O Novo Mercado a coletar estes dados e utilizá-los para estes fins. Consulte nossa Política de Privacidade e Proteção de Dados e os Termos e Condições de Uso para mais detalhes.

ACEITAR